O Tribunal do Júri, formado por cidadãos em vez de juízes, pode passar a
julgar crimes de corrupção ativa como passiva. Projeto de lei com esse
objetivo, do senador Cyro Miranda (PSDB-GO), aguarda designação do
relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde
receberá decisão terminativa.
De acordo com o Código de Processo Penal (Decreto-Lei 3.689/1941), quem
cometer homicídio, induzir ou auxiliar a suicídio, infanticídio e aborto
(os chamados crimes dolosos contra a vida) deve ser julgado pelo
Tribunal do Júri. O PLS 39/2012 altera o CPP para incluir crimes de
corrupção entre os passíveis de serem julgados dessa forma.
Ao justificar a proposta, o autor ressaltou que o nível de corrupção de num país guarda relação com os obstáculos impostos à prática, bem como ao tipo de punição aplicada. Os corruptos, observou o senador, avaliam se os problemas e penalidades enfrentados valem a pena se comparados ao valor dos rendimentos advindos da conduta.
Ao justificar a proposta, o autor ressaltou que o nível de corrupção de num país guarda relação com os obstáculos impostos à prática, bem como ao tipo de punição aplicada. Os corruptos, observou o senador, avaliam se os problemas e penalidades enfrentados valem a pena se comparados ao valor dos rendimentos advindos da conduta.
“A penalidade para a corrupção é um conjunto de probabilidades de ser
pego, e, uma vez pego, de ser punido. Isso é importante para que o
indivíduo tome a decisão de ser corrupto ou não”, explica Cyro Miranda.
Para o senador, ampliar a competência do Tribunal do Júri para
julgamento de crimes de corrupção, tanto ativa como passiva, vai
dificultar a atuação de indivíduos corruptos e garantir mais respeito à
democracia.
Pesquisa da organização não governamental Transparência Internacional
aponta que o Brasil ocupou, em 2012, o 73º lugar no ranking dos países
mais corruptos do mundo, entre 182 países pesquisados, informou Cyro
Miranda. Numa escala de zero (muito corrupto) a dez (muito limpo),
informa o estudo, o Brasil obteve nota 3,8.
Atualmente, ressalta o senador, a corrupção é tema presente em
discussões sobre ética e política. Desde a posse da presidente Dilma
Rousseff até janeiro de 2012, observou, seis ministros caíram em
decorrência de denúncias e suspeitas de corrupção.
Para o senador, é importante dificultar a prática da corrupção, já que
os atores políticos no país não distinguem o que seja amoral ou imoral.
No Brasil, a diferença entre as ações dos políticos, disse é determinada
apenas pelo seu sucesso ou não, ressalta.
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